quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Retrato em Branco e Preto



Já conheço os passos dessa estrada...

Conheci Vívian e sua longilínea estrada numa noite transcedental
As delícias de sua carne tenra, de odor convidativo
Ela cantou pra mim aquela música do Chico e do Jobim
Retrato em Branco e Preto
Nua, ali, na cama, com a exatidão de cada nota
Impecável linha melódica, indefectível corpo manuscrito por Deus

E o que é que eu posso contra o encanto?

Dessa mulher que quero tanto
E lembro tanto, tanto
Na sua lourice vívida
Vívian! Eu a vivi, eu e a Vivi
Seu toque além da pele
Seu toque com a voz
Gozo de minha alma

Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isto é pecado...

Pecado? Isto pra mim é algo sujo
Que remete a rejeitar o que é divino
Vívian é divina, pecado seria rejeitá-la
Não, eu saí dali renovado
Com meu corpo bem marcado
E as lembranças do que hoje é passado
Ah, aquela boca que canta
Beija com fúria e desejo
E dali não quero sair

Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração...

Eu vi a própria Vênus de Milo diante de mim
Esse retrato em branco e preto maltrata meu coração masoquista
Que sente a dor da saudade e da vontade de mais, mais
Vívian, obra prima de Deus
Eu, eternamente grato por transcender os limites do prazer
Minha nudez preferida de sempre
Vívian viverá em mim

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